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07/08/2011

Que sapatos!

Maria comprou um par de sapatos há um mês atrás e não os usa mais. O que é um fato que a deixa puta. Maria ultimamente tem comprado alguns sapatos de uso limitado. Não limitados por ela. E sim, por eles, os sapatos. Foram de chinelos à peep toes. Ela até que é seletiva, mas nunca escolhe algo funcional. Seus sapatos nem sempre vão combinar com seu jeans, seu vestido ou saia. Seus sapatos sempre vão ter um problema, um deles vai combinar com o dia, outro com noite e o pior de todos, aqueles que só combinam com as roupas de finais de semana. Maria se deu conta de que seus sapatos começaram a tomar conta de sua vida. No início, ela começou a se adaptar para seus sapatos. E não os sapatos se adaptarem a ela. Até que seu último sapato, foi o ápice. Foi quando se deu conta, que um só sapato não serve de segunda à segunda e muito menos quando você precisa deles para pedalar. Seus sapatos darão problemas. Se for um chinelo, no caso, aquela Havaiana bonitinha, que fica linda em Maria, quando as usa com jeans e camiseta branca, essas tais havaianas, uma hora ou outra vão arrebentar. Mas triste mesmo, é quando você compra aquele peep toe, cor nude. Maria pensava - Com esses posso usar jeans e nos finais de semana meu vestido de paetês. Que sapatos! Mas daí, o salto quebrou.

08/06/2010

50 dias com ela

Ela sempre foi o tipo de menina que eles olham e pensam no quão meiga essa é ou poderia ser. Ela é pequena e aparentemente delicada. Mas não se enganem. Sempre acreditou em muitas coisas, em tudo e em todos. Mas não acreditava em relações. Daquelas que envolvem duas pessoas (no seu caso) gêneros diferentes. A menina sempre achou muito difícil compartilhar sua vida, seus costumes, seus segredos, seu dia com alguém. Ao seu ver, um estranho invadindo seu mundo. Todos eles são sempre muito estranhos. Ela tinha suas manias. Escovar os dentes no box, não gostar de pentear os cabelos, mascar somente a metade do Tridente. As músicas não eram de comum agrado. Beatles ou Carla Bruni, são para poucos. Ela lia O Retrato de Dorian Gray, mas gostava mesmo era do Lorde Henry. Ela era confusa, impermeável, peculiar e egoísta. Ela sempre foi egoísta. Não atreviá-se a dizer o contrário. Assim as pessoas não insistiam. Mas ele, ele insistiu. Ele, ah ele! O cara estranho, chato, com seus tênis sempre brancos. Gostava das mesmas músicas. Beatles era bom e seu preferido sempre foi o Paul. Também gostava de livros com personagens estranhos e sempre admirava-os. Ele também tinha manias, daquelas um tanto quanto sistemáticas. E ela adora. Ele tem os pés e as mãos quentes. Enquanto ela, possui as extremidades frias. Ela tem franja e ele adora. Ele tem barba e ela acha aquilo um máximo. E os dois assim se completam e combinam. Ela passou acreditar. E ele conseguiu. Ela começou a contradizer-se. E ele passou a sempre estar certo. E ela desistiu de teimar. Resolveu se entregar. E agora? Agora ela está vivendo. Agora ela está experimentando. Agora ela possui um misto de sentimentos que jamais pensou que existisse. Agora ela pode dizer que está completo ou melhor, está se completando. São 50 dias e muito mais.
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